quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sejamos.

Não me encomendem em nada
Não me peçam
Não me planejem
a minha ânsia
tem que ser maior
que qualquer ansiedade
por mim

Não me confundam entre pronomes
Meu nome é Eu
não Você e
nem ainda,
Eles.

Se em eu-FAÇO
eu fosse eu mesma
e a mesma língua portuguesa
O-sintagma-nominal-de-gênero-O-femininO
faria
FAÇA:
uma ordem.

- Ânsias?

Mesmo desordenada
a minha ânsia
tem que ser maior
que qualquer ordem
em mim.

Não me encomendem
porque encomendo-me a mim
Não me peçam
porque peço-me a mim
Não me planejem
porque planas nunca fomos.

Somos.
a Presença
é a barra
pulsando pesada no peito
todo tempo
pedindo
palavras.

à Ausência
dou a farra
fluindo mente adentro
todo tempo
sussurrando
asas.

sábado, 14 de junho de 2014

O poema mais estúpido que eu já fiz

todo mundo
quando
fica sozinha
nessa solidão sapeca
cozinha
macarrão com sardinha

ou Seleta!

terça-feira, 3 de junho de 2014

É tanto frio
que nem a manteiga
dias a fio
fora da geladeira
derrete.

domingo, 25 de maio de 2014

Roupa.
Depois da terapia
Fugir pela pia
Ou esfregar a roupa
Encardida e a terapia
A terapia e a poesia
Esfregar ate sangrar

Terapia.
Depois de seca
A roupa esfregada
Ainda na sala acumula-se
Ainda na parede escora-se
A poesia ainda esparrama-se
Ainda que quarada
A poesia amontoada
Manifesta-se inguardável

Poesia.
Depois de vazia
Alma lavada, velha
Vejo a poesia
No breu amontoada
No vão da sala invisível
A fenda esconde
A poesia alvejada
E não responde
Onde guarda-la.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Leaving room
Leaving home
Living room.